Questionar a autoridade é responsabilidade de cada cidadão

Imagens: A Rule Is To Break: A Child's Guide to Anarchy / Reprodução

Imagens: A Rule Is To Break: A Child's Guide to Anarchy / Reprodução

Se tem uma coisa que deveria ser garantida a todas as crianças, além dos direitos básicos, é a certeza de que estão sendo formadas para serem livres, críticas e questionadoras, sem rótulos sobre o que a sociedade considera normal ou aceitável.

Foi pensando nisso que trouxe para o blog do Estúdio Voador um livro genial que conheci há alguns anos: A Rule Is To Break: A Child's Guide to Anarchy (em tradução livre, Uma regra é para ser quebrada - Guia anárquico para crianças), publicado pela Manic D Press.

Nele, os autores John e Jana incentivam crianças e pais a abraçar a anarquia como parte dos valores da família. A ideia surgiu em 2011 da própria frustração do casal a partir do que presenciavam no mundo, e também por estarem cansados de livros com finais moralistas.

Foi ainda observando seus próprios filhos que viram ser preciso questionar as regras já na infância. Dessa forma, abriram um canal para que eles pudessem se expressar e, com responsabilidade, fazer escolhas que os transformassem em pessoas respeitosas e muito conscientes de seus papéis na sociedade em que vivem.

Quebrar regras, para eles, era permitir e até incentivar que os filhos pulassem um banho, trocassem um dia na pré-escola por um passeio na praia ou até mesmo subissem mais alto na árvore.

E é sobre isso que o livro trata. Com personagens doces e divertidos, frases curtas e ilustrações bem coloridas retratam um ambiente ideal onde é permitido viver de forma mais livre, leve, confiante e colaborativa. Nada conservadora. Bem menos oprimida pelo consumo e só.

"Eu prefiro um mundo cheio de crianças que questionam por que elas precisam fazer alguma coisa a um mundo em que elas simplesmente obedecem tudo o que a escola ou os pais dizem. Afinal, ensinar os filhos a quebrar as regras não significa criar filhos pouco educados e que pensam que podem fazer o que quiserem sem nunca enfrentar consequências. Tratar desse tema significa criar filhos que pensam sobre o que está sendo dito para que possam se perguntar se e como aquilo se aplica a eles", disse o casal (em tradução livre) ao site Rocker.

Para os autores, a anarquia nada mais é do que uma porção de ideias viáveis sobre um mundo sem perseguição, feito de respeito mútuo, cooperação e tolerância com as diferenças.

Hoje, em um momento em que vemos uma camada da sociedade bater o pé e chamar de opinião aquilo que é preconceito - e aqui estou falando de pais que ensinam aos filhos que homossexualidade é doença, que a crença do outro é menor, que o feminismo é uma piada, que agora nem se pode mais fazer humor ou ter empregada doméstica, e que ajudas sociais são para preguiçosos, só para citar algumas tristezas -  nada melhor do que projetos informativos, diversificados, criativos e inspiradores para nos tirar do lugar e fazer com que a gente enxergue o mundo por outras lentes.

Eduque-se! Use seu cérebro (e seu coração).