Se der tempo, me manda uma carta

Nos conhecemos este ano num desses corredores de feira internacional de livros. Puxamos assunto e ele deixou comigo um caderno/portfólio, impresso e costurado à mão. Achei tão delicado e quis saber mais sobre o trabalho dele. Um, em especial, chamou minha atenção.

Em agosto de 2010, o ilustrador Kammal saiu de viagem, sozinho, pelas regiões centro-oeste, norte e nordeste do Brasil. Foram seis meses e mais de 150 cartas ilustradas enviadas para o irmão de 8 anos. “Eu já havia passado outros seis meses pesquisando artistas viajantes, haikais e afins. Quando voltei, finalizei o projeto, montei um livro-objeto e o defendi como tese de graduação em design gráfico na PUC-Rio”, disse.

 Vi algumas imagens ali na hora e tinha, além do pouco tempo, uma série de perguntas pra fazer. Achei fascinante acompanhar suas impressões, principalmente sabendo que estava ali uma “conversa” entre irmãos.

Voltei pra minha casa, em Londres, e ele pra dele, no Rio de Janeiro, até que resolvi enviar um email perguntando se ele topava me dar uma entrevista por carta. Ele se animou, e eu passei a contar os dias só imaginando essas informações atravessando o Atlântico, passando pelas mãos de tanta gente até chegar a mim. Vocês não imaginam minha alegria quando o envelope apareceu debaixo da porta. Pra melhorar, Kammal foi tão generoso que transformou as perguntas em arte – em três folhas de histórias, agora compartilhadas aqui.

O Tempo Sem Tempo, que será publicado este ano pela Bolha Editora, é um livro que compila as cartas de Kammal ao irmão e nos devolve as emoções do artista através de seu registro, lindo e experimental, pelo Brasil.